segunda-feira, 21 de maio de 2012

Conflito de gerações


As pessoas não cansam de falar como o mundo está mudado. Até os jovens inundam (ou seria com ‘m’ nesse caso?!) os feeds das redes sociais apresentando detalhes de suas infâncias sem iPhone. Pois é, está mudado mesmo. Constatar isso não é chato, o que o torna é transformar as mudanças em comparativos de qualidade. É a trupe dos ecochatos da infância!

Os jovens estão sim mudados. Só que os jovens pais também eram diferentes dos jovens avós. A diferença das mudanças entre os jovens avós e os jovens pais é pequena e discreta quando se pensa no turbilhão de mudanças diárias que diminuem os anos de uma geração e tornam as novas crianças, adolescentes e adultos partes e apartes. Tecnologia, simples tecnologia. Tecnologia que criou o famoso termo globalização e que com ele justificou quase todas as mudanças sociais, em relacionamento e isolamento.

Ouve-se que os jovens não têm mais capacidade de se comunicar, que vivem isolados. Comentam sobre a instabilidade dos relacionamentos ou a fugacidade dos amores. Os filhos não são mais bem educados e os pais não são respeitados.

Ecochatos! Parem de rotular, de comparar. Percam menos tempo dizendo que as coisas estão diferentes e mais aproveitando as diferenças. Compartilhe menos tais mensagens no Facebook e brinque com seu filho na rua. Culpar o governo também é uma saída fácil. O Kinder Ovo não custa mais um real e você não vai mais ao shopping com dez reais. Só que seu salário aumentou e suas opções de filmes na internet também.

Os jovens hoje estão conformistas. Não é o caso. Apenas, pelo menos aqui, há a intenção de se aproveitar mais ao invés de perder tempo reclamando.

A comunicação nunca vai morrer. Ela pode mudar. É o que acontece. Hoje o jovem se expõe bem mais. Diz o que pensa, mostra aonde vai, o que ouve e ainda transmite as imagens daquilo que come, acha engraçado e detesta. Não manda mais carta, talvez pouco ligue, mas não desconecta o Whatsapp. Tem sempre abertas cinco janelas de conversação.

Amar também pode ter ficado mais fácil. Ou difícil, já que se ama tanto. Nunca antes na história desse país se amou tanto. O lado negativo é evidente, mas as sociedades já passaram pelo casamento arranjado, por conta de dotes e tantos outros. Ficavam para sempre amarrados a esses relacionamentos. Talvez seja melhor amar tantos e todos. Poxa, a menina tem 15 anos e está transando. Quantas se casaram com 16, com caras mais velhos e que não sabiam nem o que era amor?! Ora, hipocrisia!

Certa época, os filhos respeitavam mais os pais. Respeito não pode ser confundido com medo, falta de diálogo. Não criem polêmicas. Entendam que o pedir bênção é muito mais uma simbologia do que respeito, de fato. Os pais têm conversado mais com os jovens sobre tudo.

E se a violência não deixa mais a brincadeira acontecer nas ruas, a tecnologia não é vilã. Quem acredita nisso, deveria usar melhor o tempo e a criatividade. Afinal, se uma coisa que os mais velhos e os mais novos sabem é que é em tempo de crise que se cria. Reclamar não é o mesmo que militar e mudar. Aproveitar não é o mesmo que conformismo. Entendam.


sábado, 10 de março de 2012

Escritor de Araque


Parei de escrever. Não por falta de tempo, falta do que falar ou falta de vontade. Talvez esteja em um momento não propício à escrita. Aos elogios que já recebi sobre esse espaço, aos que o fizeram, eu digo que não é nada pessoal. O blog está parado, a monografia também e aqueles muitos argumentos e perfis de personagens que tenho na cabeça de lá não estão saindo.

Olhando os últimos textos desse blog talvez seja possível entender porque não tenho aparecido. Oras, sou um escritor de araque. Talvez sejam todos, mas não vou cutucar os deuses. Pensem comigo, recentemente comentei sobre "o cara" que vai e volta em um amor que visivelmente foi só seu e não deu certo; falei sobre as coisas que faço quando ninguém me ver fazendo; comentei sobre minha série favorita; um vídeo tirado de uma aula; e mais histórias fictícias, um pouco pretensiosas.

Agora, o grande autor perdeu as palavras, já que está namorando, sem grandes tragédias românticas; está tendo tão pouco tempo consigo mesmo que só consegue dormir e dormir assistindo séries; sobrou-lhe menos tempo e vontade até para dissertar sobre as séries, exceto que seja num chat com a também de araque Natália; nesse momento que não tem aulas, poucas inspirações nesse sentido; e toda a concentração criativa num argumento de série que fica só na cabeça. O grande se revelou aquilo que é: um escritor de araque.

Ah, mas deem um desconto. Me elogiem. Talvez todos os grandes sejam verdadeiros aproveitadores de tragédia própria. Alimentam suas obras primas com a tristeza amorosa, com o olhar sombrio que lança sobre os outros, auxiliados por drogas para escritas e pela tristeza também dos leitores. É tão humano nos interessarmos, nos apaixonarmos e preferir as histórias tristes. Vejam filmes, novelas e romances literários. Pode ter o final feliz, mas aquilo que recheia é a tristeza. Somos macabros a tal ponto?! Somos, nada. Problema mesmo é que essas obras todas são pintadas com tanta tinta que o triste assusta, mas na verdade escondem cotidiano.

Se pensar bem nas situações diversas que passamos, todas são facilmente transformadas na mão de um ~bom~ autor em tragédia grega. A tragédia é normal, nem sempre triste, nem sempre avassaladora e nem sempre com tanta vilania. Irreal mesmo é o final feliz. Felicidade está distribuída ao longo da história toda. Não as escritas, as vividas.

E queria ser escritor. Um de verdade. Aquele que se aproveita sim, que coloca tintas sim, mas que consegue arranjar um tempo em meio a felicidade e tristeza real para criar. Criar mais real, falar mais real. E esse é um suspiro de tentativa. Um texto no blog aqui, um perfil de personagem ali e quem sabe, não mais que de repente, um argumento e 12 episódios com 30 laudas cada entregues aos amigos cobaias.

Ideias não faltam. Ano passado, ia terminar com uma postagem sobre uma reportagem com os 12 passos (fáceis) para ser feliz. Passou. E, agora no começo, a ideia era minha metódica lista de promessas/definições/resoluções de ano novo. 12 também. Uma para cada mês. Estamos em Março e dos meses anteriores, o placar é 1x1. Não emagreci, mas passei um carnaval bem legal.

Melhor terminar esse texto sem um final "digno", ficando assim mais coerente com o conceito que queria deixar. Não há mais pontos finais que reticências. Pode parecer que sim, mas não...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Megazord



É tão difícil achar alguém que combine com a gente. Em casa, por mais que todos digam quão parecidos são, pais e filhos podem ter uma única diferença capaz de colocar fogo no mundo. Com os amigos, você tem afinidades e acaba criando hábitos, gestos e gostos comuns ao grupo. Acontece sempre! Ainda assim, chega uma hora que há um ponto conflitante que faz parecer impossível uma amizade ter durado tantos anos. E no amor? Alguns dizem que procuramos alguém parecido com nossos pais, outros que tem que ser uma pessoa que, quando a paixão findar, fique a amizade. Claro que vai ter momentos de guerra.

A verdade é que ninguém é igual, mas todos passam a vida procurando pessoas que sejam. Que sejam para nos mostrar nossos próprios defeitos, entender aquelas paranoias ou apenas conseguir trocar um olhar e fazer-se entendido. Se é DNA, natureza do homem ou seja lá o que for, queremos que alguém entenda o nosso desaparecimento repentino, nossa euforia por coisa boba, uma ironia tuitada, uma música brega, um programa de índio, uma briga ridícula ou a preferência que há de um amigo em detrimento ao outro.

Agora é o ponto que me contradigo. Não existem pessoas assim, iguais. Só que, às vezes, a gente encontra. E nem tudo é lindo, só que até as brigas que acontecem são do jeito que você pensou. É como dançar com uma desconhecida a coreografia que você criou e saber que ela é mestra naquilo. Até os descrentes começam a aceitar que o amor existe. Se amor não é isso, deveriam inventar um nome praquele que deve ser o sentimento mais prazeroso do mundo. Perdoo-me as próprias pieguices! E até o fato de citá-las, já que mea culpa também soa como tal.

E como podem ser dois tão sincronizados?! Não se completam, não se entendem. São “é”, no singular. Não são almas gêmeas, não são extensão um doutro, nada. São tão parecidos que as semelhanças de pais e filhos e entre amigos não parecem pequenas, mas soam menos natural.

Quando encontrei essa pessoa, claro que estou falando de mim, parecíamos vir de mundos diferentes. Destoávamos até nas cores para soar ainda mais mexicano. Todos incompreendem como chegamos até o ponto que chegou. Juntos, éramos quase um megazord, potencializadas todas aquelas características que tínhamos. Existia ali a comédia, o humor ácido, a cumplicidade, a troca de olhares, a ironia, a agressão, o bem, o mal, as histórias vividas estampadas no rosto, os desejos que eram diferentes apenas superficialmente.

Do nada, quando em seu ápice, um corte frio. Estranhamento que com o tempo do afastamento, que com a dor ora cicatrizada ora latente, voltara a parecer nascidos nós em planetas vizinhos. Era triste, mas era reconfortante. Tal qual um respiro livre de alguém que passara os últimos anos preso em uma redoma com ar controlado. Havia até, em certo momento, felicidade. Felicidade de quem quis e conseguiu seguir em frente, dar um passo, amadurecer, largar-se de um vício. Dependência, em sua melhor definição. Superação, em meu maior clichê.

Era felicidade de gente que não é feliz. Olhem bem, era feliz por coisas que servem apenas para provar aos outros que somos alguém e fizemos algo. Tentei justificar que estava correto, e como tentei. Acreditei que só seria feliz assim já que, infelizmente, ligo tanto para os demais, para o que pensam; e que fico pressionado pela minha própria natureza a pensar, repensar e agir de uma forma que pareça ok, que corresponda aos planos que são feitos minuto a minuto. Tá, talvez isso realmente faça que eu seja feliz. Só que há algo que faz bem mais.

Não é amor, carinho. É toda aquela raiva, aquela cumplicidade, aquele ódio. O megazord! É ser leal, é ser ilegal, é ser real. E decidido, não fazia mais sentido passar a vida lutando para ser feliz à custa de privar aquilo que, pura e simplesmente, traz felicidade instantânea. Sem sentido, optei por ir contra todos, optei por ser mais lógico.

E me arrependi, e fui feliz, tive os melhores e os piores momentos da minha vida. Se fosse um pouco mais popular, diria que antes se arrepender do que fez do que pelo que não foi feito, mas não. Só entendi que é melhor ser alegre do que ser triste. Ah, se os piores momentos eram causados por aquela que era a minha maior alegria, valeu vivê-los.

Quem eu fui a vida inteira deveu-se àquela hora que decidi recuar e ligar menos para os amigos, de ser mais chato e acusado de burro, quando me inspirei em quem tanto critiquei. Os conselhos que dou aos meus filhos, o emprego que escolhi e as discussões que decidi perder, tudo tem um início lá atrás. Não foi lá que eu me tornei quem eu sou, mas sim quando eu aprendi a lidar com isso.

Ainda tem muita coisa pra viver. E agora eu sigo, sem me punir por saber que talvez eu volte. Afinal, se o caminho natural é esse, se todo o bem feito me trouxe até aqui é porque aqui era pra eu estar. Não, não é destino. Destino é coisa de preguiçoso. Não é amor, sou objetivo demais pra isso. Não que faça sentido ou tenha escolhido uma frase um pouco mais profunda para terminar o texto de forma pedante, não. Só é o que é: eu, ela e o que é que isso signifique quando for para significar.

Leia também: A Mulher Perfeita.
O último texto publicado foi: Difícil fazer um poema.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Difícil fazer um poema

Difícil fazer um poema
Difícil escrever tudo aquilo que se pensa
O que se vê, o que se ouve, o que se fala
Principalmente o que não se fala
Repito, o que se pensa

Demora, exige esforço, exige calma
Exige inspiração.

Se falo de quem amo, tudo parece indigno
Se falo do que não gosto, parece dispendioso demais
Sobre o que quero, sou supersticioso
E sobre aquilo que tenho, deixa.
Não sou vaidoso

Poderia falar da pátria amada,
Da mãe dedicada, da primeira namorada
Até da primeira pelada, amizades despedaçadas
Ressacas incuráveis e memórias até hoje não recuperadas

De tudo o que vivo, do que tem brilho, do que me dá abrigo
Tudo me parece tão rico
Que as palavras, por mais valiosas que sejam, viram troco
Viram pouco

Por ser difícil, por ser bonito, por ser imensurável
Prefiro deixar em um lugar onde as palavras estão certas
Aonde não há erro, nem juízo de valores
Fica aqui comigo, fica com quem viveu
Afinal, o poema é meu.
É dos meus.

O último texto publicado foi: O que você faz quando ninguém te vê fazendo?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O que você faz quando ninguém te vê fazendo?

Dinho Ouro Preto perguntou: O que você faz quando ninguém te vê fazendo? E eu pensando, existem coisas que a gente escolhe, por vergonha, trauma ou educação, não fazer em público. Dessas coisas, têm as que até falamos, conversamos e discutimos, outras que são segredos mesmo. Eu resolvi fazer um apanhado das minhas coisas, já que sou carente e tenho necessidade constante de falar sobre mim. Não!

Vou tentar fugir do óbvio, mesmo que algumas coisas sejam óbvias. Só que, por exemplo: sexo. Tirando um tipo específico de tara, sexo é uma coisa que não se faz em público. De todo jeito, eu quero responder o que o vocalista do Capital Inicial perguntou: o que eu faço quando NINGUÉM está olhando. E sexo, meus amigos, ao contrário do que alguns pensam (ou eu, em certas estações), não é punheta. Go ahead! - porque eu sou hipster e uso palavras em inglês no meio das minhas genialidades em brasileiro (sic.).


1. PEIDAR
Comecei sem muita graça a lista, certo?! Pois eu comecei foi ousando muito. Amigos, eu sou entupido! É sério, não é por falta de educação, nem por ter sido reprimido quando criança, nem por nada disso. Uma escolha pessoal: eu não solto pum. Até quando estou sozinho, evito ao máximo. Só que Doutores aconselham: peidem. Estou revendo meus conceitos. Ainda assim, isso é algo privado. Como deveria ser para todos, em uma sociedade perfeita. Só que vivemos em um mundo que há até campeonato de peitos debaixo do lençol. Portanto, sou estranho.

2. CORRER
Aqui não é uma questão pessoal, talvez seja trauma de infância. Quem já teve o prazer de me conhecer e conviver alguns maravilhosos momentos sabe que minha mãe e meus pais não fizeram um bom trabalho de acabamento naquele Dezembro de 1988, por isso vim apenas com o Kit Básico. Naquela época, coordenação motora era opcional e eles, com pouca grana, não me equiparam com tal. Sou puta descoordenado! Tenho para o básico (locomoção, alimentação e reprodução - boa reprodução!), de resto, sou um desastre. Não sou habilidoso em esportes nem no videogame, tenham ideia. Ou seja, não sou nerd apaixonado por games, nem homossexual que joga vôlei e handball. Sou heterossexual, descoordenado. Por isso, não corro em público. Como o cego que desenvolve bem o tato na ausência da visão: eu ando muito rápido! Utilizo essa capacidade para momentos que é preciso correr, seja por necessidade ou vaidade (vide academia).



3. COMER LARANJA
A bem da verdade, eu sou muito preguiçoso com alimentos que me sujem ou exigem muito. Por isso, só como manga e cajá quando minha mãe descasca e sempre prefiro suco de laranja, ao invés da fruta. Laranja é um delícia rica em vitamina C que eu raramente me alimento. Tem que descascar (coordenação off), além de encher minha camisa e dentes de seu bagaço.

4. COLOCAR A BATATA FRITA DENTRO DO SANDUÍCHE
Anotem esse conselho. Na infância, minha base alimentar foi constituída pelo Giraffas. Quando não estava afim de comer o prato econômico com dois frangos e molho shoyu, vinha uma promoção de sanduba com fritas, claro. No conforto do meu lar, acompanhado da programação infantil do SBT, eu abria o pão e colocava as batatas fritas dentro. QUE DELÍCIA! Deu até saudade. Vou almoçar e volto depois para terminar o post.

25 minutos depois...



5. DANÇAR FORRÓ
Espero, Deus, que isso mude logo. Sabe a sensação de ver alguém conquistando algo que você sempre quis e nunca vai conseguir?! Sou eu assistindo à Dança dos Famosos. Alguns famosos sempre dançaram e tem facilidade, outros alegam ser duros, sem ritmo e que não sabem mesmo dançar. Os últimos são como eu! Isso dói, caros leitores. Só eu sei quantos casamentos fui e fiquei de lado. Só eu sei o vexame de falar: "Eu não sei dançar forró" e, pior ainda, quando alguém insiste tanto, você cede e recebe aquelas duras palavras de confirmação: "Realmente, você não sabe dançar". (lágrimas) Nas baladas, opto sempre por aquelas danças que é só pular, fingir alguma coisa com as mãos, passo pra lá, passo pra cá e INDIVIDUAL. Do contrário, nem tomando todas as doses possíveis (e que tomo para dançar mesmo sozinho, em público) é possível.

6. LIMPAR O NARIZ
Sou fresco com o nariz. Certeza que fui uma das poucas crianças que não comeu meleca. Só que tenho um agravante: ainda tenho renite. Ou seja, estou sempre com nariz entupido. Chega uma hora que o remédio não é suficiente, é o momento que não dá pra usar o papel higiênico, pois parece só piorar a alergia. E eu odeio ASSOAR (palavra deveras interessante). Sempre que dá, fico no papel higiênico mesmo. Mas, enfim, têm horas que não dá. Geralmente no banho, em meio a uma crise de espirros (renite com hérnia de disco não combinam, qualquer dia disserto sobre), naquele momento solitário (na maioria das vezes, tomo banho sozinho): eu limpo o salão! E ah, como a sensação é boa. Apesar dos arrepios homossexuais provocados pela textura melecosa, cá devo confessar, o alívio é FODA.

Coisas que eu deveria fazer apenas quando ninguém estivesse vendo: comer macarrão, cantar e contar piadas.

O último texto publicado foi: How I Met Your Mother 7x03: The Ducky Tie.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

How I Met Your Mother 7x03: The Ducky Tie

Acabo de ver o terceiro episódio da sétima temporada daquela que, em breve, será a minha série favorita desde sempre. Lost ainda está no primeiro lugar; Friends já caiu para terceiro; Fringe um dia chegará ao pódio. Sempre falei que How I Met Your Mother, a série em questão, foge do estereótipo SITCOM. Por isso, as comparações com Friends não se mantêm. Muitos vão defender para sempre a trupe de Rachel e Ross. Talvez porque a série tenha se tornado cult, tenha conquistado o sucesso em 10 temporadas e ser uma das poucas unanimidades da televisão mundial. Não discordo de nada disso.

O que quero dizer é que a série de Ted, Barney, Marshall, Lily e Robin é completa. Não é apenas uma série de amigos, não é apenas a história de como um cara conheceu a mãe dos seus filhos e nem é uma série sobre nada. É uma série completa, não falo que é sobre tudo, porque seria o mesmo que dizer que é sobre nada. How I Met mostra a trajetória de Ted na vida. A narração, como li esses dias, segue os traços de uma conversa. Nós contamos histórias de várias maneiras; não narramos um fato de maneira linear, vamos e voltamos na narrativa. Ted faz isso com suas crianças. A série começa aí a sair do comum.

Ao falar de morte, de brigas, de gravidez e de outros temas que sitcoms não ousam, mais um ponto positivo. Brinco também que a equipe de produção da série tem, ao lado dos roteiristas, o melhor continuísta da história. Plots como o dos tapas, o das cabras e outros infinitos provam isso. Você vê um episódio que pode ser importante para daqui uma, duas temporadas. Apesar de ter hora, como nesse episódio, que se pensa: “Eles estão enrolando ao invés de contar a história que começaram”. O tal casamento que apareceu na temporada retrasada, como sendo o dia que Ted, finalmente, conhece(u)(rá) a mother foi retomado no fim da temporada passada, quando ficamos sabendo que Barney era o noivo. Nesse momento, a mãe dos filhos do protagonista ficou menos importante do que saber quem era a noiva. Minha aposta e da maioria: Robin. Apostando nessa aposta, os roteiristas nos trouxeram ao primeiro episódio dessa temporada. Uma Robin ainda apaixonada por Barney e um Barney indo atrás de Nora. Os caras que escrevem esse roteiro gostam de nos embananar e provar que o óbvio sempre é a escolha errada. Aí fica aquele nó: “é óbvio que vai ser a Robin, mas como é óbvio, é óbvio que não vai ser”. Ou seja, não sabemos de nada. Ainda aposto nela e digo mais... Além de Ted já ter dito as kids que sem a Robin ele não teria conhecido a mãe, o episódio que assisti hoje, o 7x03, reforça as minhas apostas.


Esse episódio que, aparentemente, foge do plot central da temporada tem tudo para ser um dos mais importantes da série, já que prepara um novo terreno. Não será apenas uma mudança na gravata de Barney que veremos nos próximos 20 poucos episódios. A verdade é que, com uma oitava temporada já garantida, torço (com dor no coração) para que ela seja a última. Assim, o roteiro poderá cumprir o que foi colocado em sutileza nesse episódio. As proféticas falas de Victória e Ted no futuro, para seus filhos, apontam uma mudança próxima na dinâmica do grupo. Ted, Robin e Barney devem começar a se afastar para que possam se aproximar de novas pessoas, ou de si mesmos. Entendem?

A cena final dos três no bar, com música e narração ao fundo preparam os fãs da série a um inevitável series finale. A sensação de quem conseguiu entender a passagem que ocorrerá nessa temporada é de fim, de término. Preparem-se, uma hora acaba... Mesmo que How I Met tenha um final típico de sitcom, como a cena “deixando o apartamento vazio”, vai provocar algo parecido com a feliz cena que encerra o episódio dessa semana. Claro, para os mais atentos e apegados que sentiram isso.

São tantos os motivos que fazem de How I Met Your Mother uma série mais completa que outras de 40 minutos por aí que fica difícil falar um porquê. Quem não assiste deve acompanhar desde o começo para entender. Torço que façam logo isso!


Leia também: Dicas de Séries.
O último texto publicado foi: Rafinha 2.0: mídia, educação e as gerações.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Rafinha 2.0: mídia, educação e as gerações.


O texto abaixo foi a minha contribuição para um fórum, da disciplina Computadores na Educação, que tinha a discussão baseada no vídeo acima e na geração Y (ou C).


Então, o Rafinha tem 16 anos, o vídeo é de 2007, hoje teria 20. Tenho 22, recém completados, e me sinto dessa geração. Estou o tempo todo conectado, pelo celular ou pelo computador. O tempo todo! Tenho Facebook, Twitter, msn, bbm, whatsapp e, se por um acaso, não conseguem me encontrar, a bateria de algum aparelho acabou.

Acredito que o caminho natural é esse. Só que a minha realidade ainda é nova. É nova para meus pais, tios e a maioria dos professores que tive e tenho contato. Aí que entra um problema que me incomoda muito.

Aceita-se que as coisas não vão voltar a ser como antes. Não se manda mais cartas, não se compra mais cds, livros ainda são utilizados, mas não se sabe até quando. Eu ainda acho que sempre existirão! Assim como rádios e canais de tv não serão substituídos. O caminho natural é a convergência! E é na tentativa de incorporar, de atrair a geração atual que o pecado daqueles que não cresceram como nós fica evidente. Não adianta trazer um tablet para sala de aula sem saber como tratar, de forma que os alunos entendam e não achem aquele tablet ali apenas uma "forçação de barra".

Quando comentado aí no fórum sobre o risco que é a tamanha oferta que a internet tem, concordo. Encontra-se de tudo! Só que o mesmo acontecia antes. Numa mesma escola, tinham aqueles com assuntos inteligentes, de conteúdo e com um português bem construído, por exemplo, como tinham os fúteis e que pouco acrescentavam com suas conversas. Agora acontece o mesmo. Só que é mais evidente, afinal, o mundo todo está conectado, não mais uma única classe de aula isolada.

Sou um pouco pessimista, negativo, em relação a forma que as gerações diferentes podem lidar. Um neto tem uma boa relação com seus avós independente dos meios que utilizam. Um professor que não sabe (muitas vezes, não gosta) pode prejudicar muito mais seu trabalho quando tenta (por boa vontade ou por ordem) implantar elementos que não lhe pareçam naturais. Talvez, no futuro, as gerações sejam mais próximas. Tenho como exemplo uma professora, na faixa dos 20 anos, que demonstrou uma carreira em ascensão, com conteúdo de qualidade e linguagem (em um sentido amplo) que não fugia daquela exigida para uma professora, mas que conquistou a geração do VC e demonstrou êxitos que nem o mais tradicional nem o mais moderninho conseguiram.


Leia também: Eu tenho medo. Sério!
O último texto publicado foi: Vamos tomar uma cerveja ou uma Coca?